Acho que hoje lhe percebi de modo incomum.
Sempre tive aquela visão de quem está abaixo, admirando-lhe em seus detalhes, aprendendo com o modo que trata as coisas.
Desde que lhe conheci a observava dessa forma, pois sempre achei que o que havia entre nós era sua maior presença em tudo. Havia lógica em tudo que fazia. Sempre entendia o porquê de teus atos, pois, em meu pensamento, não havia melhor forma de lidar com as situações, estavas certa sempre.
Mas você não me fez nada, não se preocupe.
Minha nova forma de pensar a teu respeito tem origem em algo que ainda não compreendo. Pareço estar cansado de você, mesmo sem nunca ter me esforçado em lhe opor. Ainda sinto aquele pulsar especial quando estás próxima, mas não mais tenho aprovado tudo o que faz.
Agora percebo que existiam alternativas melhores, mais promissoras, caminhos que a deixariam livre de certos questionamentos que enfrenta. Não que você se importe com eles, sei bem que nada do quê dizem por aí influencia o que tem feito. Mas no lugar deles estariam os aplausos, demonstrações públicas de aprovação. Isso sim sei que faz diferença para você.
Bom, independente disso tudo, continuo sendo aquele ser indiferente para você. Fazes questão de demonstrar isso. Antigamente, isso me transtornava. Hoje em dia não é bem assim. Porque agindo assim, pela minha nova forma de pensar, estás apenas demonstrando que realmente sou importante para você. Ninguém perderia tanto tempo assim à toa.
Até.
*O título anterior é um pedaço de frase de uma música, presente neste impecável disco:

1999, Dream Theater, Scenes From a Memory.





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